RELATO DA NOSSA IDA À CAPITAL FEDERAL

21 05 2009

Por Vinicius Borba:

Artistas de São Paulo encantam 1200 pessoas do DF com música e dança afro
O grupo de cultura afrobrasileira, Umoja, promoveu várias apresentações e uma oficina em agenda lotada durante o fim de semana passado. Visitaram 4 satélites diferentes e encantaram, de adultos a crianças com sua qualidade artística

Com muita ginga e beleza, um furacão de cultura negra passou por Brasília. Foi o Instituto Umoja, de culturas e dramaturgias afrobrasileiras, que visitou as terras do Planalto e deixou saudades por onde passou. Vindos à convite da Associação Sóciocultural Radicais Livres S/A, o grupo trouxe o resultado de alguns anos de pesquisa de seus 15 membros em torno da cultura negra tradicional, desde o samba de roda ao maracatu e camdomblé. Eles se apresentaram em São Sebastião, Itapoã, Planaltina, Riacho Fundo II e Universidade de Brasília(UnB), em escolas e casas de shows.

Com toda sua graça, impactaram o público para o qual se apresentaram, de aproximadamente 1200 pessoas nos quatro dias, segundo a organização dos Radicais Livres, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público(OSCIP) responsável pela produção do grupo na localidade. Foi a 1ª Semana de Identidade e Valorização Negra, realizada por esta OSCIP nas satélites.

A idéia Associação Radicais Livres, sedeada em São Sebastião, era estimular a luta contra o racismo. Conscientes de que o 13 de maio, Dia da Abolição da Escravatura foi ressignificado nos anos 80 como Dia Nacional de Luta contra o Racismo, os Radicais decidiram agir na raiz do problema: usar a arte como o caminho, como ensina seu slogan. E assim o fizeram. Por meio do edital de intercâmbio aberto pelo Ministério da Cultura, convidaram o Umoja, grupo de intensa prática na área de cultura afro para apresentar seus trabalhos. O resultado foi uma grande interação dos grupos e dos membros do Umoja com as populações do DF e de vários artistas da localidade.

Sexta-feira: Na UnB, no Itapoã e São Sebastião

Após a chegada seguiram para a Universidade de Brasília. Com apoio do Núcleo de Promoção da Igualdade Racial realizaram cortejo pelo “Minhocão” e depois apresentaram-se frente ao Restaurante Universitário.

À tarde, se apresentaram para aproximadamente 480 crianças no Colégio de Educação Infantil, no Itapoã, das zonas mais carentes do DF na atualidade. A vibração da criançada foi tamanha que o Umoja promoveu a maior ciranda já feita na história do grupo. As bailarinas do grupo não se contiveram e foram “às lágrimas”.

À noite, mais uma edição do tradicional Sarauradical, realizado há seis anos na cidade de São Sebastião. Com o tema de Consciência e Liberdade: contra o racismo a arte como o caminho, o evento teve um público de aproximadamente 150 pessoas. Além do poeta negro convidado Rego Jr., e das poetisas Polyana Preta e Denny Santos, a exposição de artes plásticas ficou por conta de Carly Barbosa, moradora de São Sebastião e também estilista na produção de claçados com arte. No Sarau, o Umoja apresentou seu show completo: afoxés, sambas de roda, do partido alto, maracatus e a linda canjira com o Orixá Exú, interpretado pelo dançarino e ator Washington Timbó. Segundo o coordenador do grupo, Euller Alves, “Exú é o Orixá que representa o poder de comunicação, que permite as interrelações entre nós, e por isto estamos aqui na Capital”.

Sábado: Oficinas e Cortejo em São Sebastião

À tarde, o Umoja trouxe, com apoio da Direção do Centro Educacional(CED) São Francisco, as oficinas de capoeira, percussão afro e danças afrobrasileiras. Todos os 30 participantes puderam vivenciar as três oficinas. Com o resultado, encerraram a bela tarde com um cortejo Feira Permanente de São Sebastião. Arte na rua, para o povo.

Domingo: Bênçãos de Oxum no Tororó, Festival Sucupira e tocata com o Mestre Zé do Pif.

Após visita à cachoeira do Tororó, à 7 KM da cidade, o grupo seguiu para prestigiar um pouco da cultura brasiliense e interagir com alguns artistas do DF, no Festival Sucupira, no Campus da UnB de Planaltina. Ao fim das apresentações cairam no samba e puseram todo o público a agitar. Como se não bastasse, um dos concorrentes do Festival era o artista popular pernambucano e morador de Ceilândia, Zé do Pif. Com suas Juvelinas, Mestre Zé foi convidado fazer o que mais sabe. Com os instrumentos em mãos, o Umoja acompanhou o Mestre Zé e as Juvelinas em seu coro de pífanos. Uma experiência única.

Segunda: Show no Riacho Fundo II e diálogo na Fundação Palmares

Pela manhã, mais 200 crianças interagiram com os artistas para conhecer melhor a arte negra tradicional. Também cirandaram com ajuda das professoras e bailarinos do grupos. Em seguida o Umoja participou de audiência com a Chefe de Gabinete da Fundação Cultural Palmares(FCP), Eliana Borges. A intenção da visita do grupo era ressaltar a importância da luta do povo negro pela cultura em São Paulo, e tentar melhorar a relação da localidade com a Fundação. Segundo Eliana, em breve está sendo formalizada uma reestruturação na Fundação, criando-se 5 sedes regionais em grandes capitais. Dentre elas São Paulo e Salvador. Ela ressaltou ainda a possibilidade de participações brasileiras no III Festival Mundial de Artes Negras, a ser realizado em 2009 em Dakar, Senegal. Segundo Eliana, serão abertos editais para a participação.

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