REVOLTA DOS MALÊS

29 01 2008

Luta de escravos muçulmanos inspirou o movimento negro contemporâneo

Considerada uma das mais importantes manifestações dos negros escravizados no início do século XIX, a Revolta dos Malês completa 173 anos nesta sexta (25). Consagrada como uma luta política pelo respeito à liberdade, à cultura e contra a imposição do catolicismo durante o período colonial. A data, definida pelos revoltosos, coincidia com o Ramadã, fim do mês sagrado muçulmano.

Planejado por africanos islâmicos, de origem haussá e nagô, o movimento chegou a reunir 600 integrantes. Os líderes eram chamados de “negros de ganho”, escravos que podiam circular pela cidade realizando pequenos trabalhos remunerados. Além disso, tinham a vantagem de saber ler e escrever em árabe, o que ajudava nas trocas de informações. O objetivo era libertar os negros e matar os brancos e mulatos considerados traidores. O pesquisador João José Reis diz que “se o levante tivesse sido um sucesso, a Bahia malê seria uma nação controlada pelos africanos, tendo à frente os muçulmanos.

Próximo ao dia do levante, negros de diversos lugares do Recôncavo Baiano começaram a vir para Salvador, mas as autoridades souberam do plano após a denúncia de uma escrava. A polícia invadiu um dos lugares onde ocorriam os encontros e reuniões dos islâmicos. Os malês conseguiram fugir e reuniram um grupo para atacar a prisão do quartel no prédio da Câmara Municipal. Para Hamilton Borges, do Movimento Negro Unificado, os malês acreditavam que era possível aos negros da Bahia uma articulação contra a escravidão. “Isso é inspirador ao movimento negro no país, a importância da revolta para a atualidade é exatamente a de lutar contra o preconceito e nos incluir na sociedade” diz Hamilton.

Repressão
A revolta tomou a cidade de forma desorganizada, mas havia um número muito maior de soldados bem armados, o que provocou um massacre. Os registros da época afirmam que 70 escravos e 7 policiais morreram no confronto. Centenas de malês foram presos e condenados à morte, castigados ou enviados de volta para África, com a Corte Portuguesa proibindo a transferência de escravos da Bahia para qualquer outro local do Brasil. Apesar da derrota imposta aos insurgentes, a revolta serviu de inspiração para as lutas contra a escravidão e para outros processos abolicionistas que culminaram com a Lei Áurea de 1888.

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